Seu navegador não supoerta scripts

Busca

 

Curso a Distância - Redução do consumo de água em edificações

Curso a Distância - Eficiência Energética em Edifícios

Curso a Distância - Arquitetura Corporativa

Curso a Distância - Terra Crua

Curso a Distância - Arquitetura Acessível x Barreiras Arquitetônicas e Culturais

 

Artigos

 



Catálogo de Produtos Inclusivos

 

Acompanhe-nos

Facebook   Facebook

 

 

Em Carreiras de Sucesso (veja mais 15 artigos nesta área)

Capela brasileira recebe Prêmio Internacional de Arquitetura Sacra



O arquiteto paulistano Decio Tozzi é o primeiro brasileiro a ser premiado pela Fundação Frate Sole, organizadora do Prêmio Internacional de Arquitetura Sacra, o mais prestigiado da categoria.

Tozzi enviou três projetos para concorrer ao prêmio - Espaço de Celebração Papal, em Maceió (AL); Igreja Nossa Senhora da Conceição, em Guarulhos (SP); e a Capela da Fazenda Veneza, em Valinhos (SP) -, sendo que a obra vencedora foi a Capela da Fazenda Veneza, construída à beira de uma represa na Fazenda Veneza, no interior paulista. A cerimônia de premiação aconteceu no dia 4 de outubro (dia de São Francisco de Assis), em Pavia, na Itália.

Com um júri formado por um seleto grupo de arquitetos mundiais, como Francesco Dal Co, uma das maiores autoridades da crítica de arquitetura internacional, o prêmio está na 4ª edição e é destinado aos profissionais de todo o mundo que tenham realizado alguma obra religiosa nos últimos 10 anos. A premiação acontece a cada quatro anos e conta com o patrocínio do Vaticano.

Em suas obras, Tozzi acredita ser essencial buscar uma relação harmônica entre o espaço construído e o espaço natural. Seguindo esta linha, Tozzi projetou, em 1970, a casa-sede da Fazenda Veneza. Utilizada por seus proprietários, basicamente como local de lazer. O espaço da capela foi previsto, mas não construído na época. Com a venda da propriedade, ele foi chamado a concretizar o projeto para que a matriarca pudesse celebrar o matrimônio de uma de suas netas. A capela foi inaugurada em 2003 e logo veio a se tornar protagonista de sua história, conquistando premiações e citações em mais de 12 países, justamente pela simplicidade de suas formas e complexidade de seu conceito.

Preocupado com a essência do ser humano e a integração com o meio ambiente, o arquiteto paulistano conseguiu acrescentar dois elementos à paisagem natural da fazenda: a cobertura curva, abrigo do homem, e a Cruz de Cristo, implementada na água e pintada na cor vermelha para simbolizar o sangue de Jesus. Os dois símbolos arquitetônicos, que não se localizam no mesmo eixo, transmitem uma impressão de colagem. Porém, de pontos estratégicos, observa-se um conjunto singular, uma integração entre os elementos, dando significado à Capela da Fazenda Veneza.

Conhecido por sua capacidade de “desenhar o vazio”, Tozzi explica como compõe no projeto a distância entre a nave e a cruz. “O vazio na arquitetura geralmente é percebido como um espaço entre volumes que tem função importante no conjunto. Na capela, o vazio desenha, em si, a sucessão dos espaços da liturgia do culto como o átrio, o batistério, a nave, o altar e a abside, que é o próprio lago.”

“Essa é a catedral da natureza”, explica. E acrescenta: “O maior desafio como arquiteto é descobrir, revelar e interpretar as novas formas para os indivíduos e para a sociedade. Essa busca constante da essência do ser individual e social me faz sonhar um mundo de harmonia e paz, onde o objetivo seja a construção permanente da humanidade”.

Capela Veneza, uma obra que assume o papel de protagonista


Entre os três projetos enviados para concorrer ao prêmio mais prestigiado mundialmente na categoria Sacra - Espaço de Celebração Papal, em Maceió (AL); Igreja Nossa Senhora da Conceição, em Guarulhos (SP); e a Capela da Fazenda Veneza, em Valinhos (SP) - o trabalho vencedor de Decio Tozzi na premiação da Fundação Frate Sole, a Capela da Fazenda Veneza, é uma obra inigualável que só pode ser melhor explicada em forma de poesia. E foi assim que o arquiteto e artista apresentou seu trabalho aos organizadores da cobiçada premiação, texto este que faz parte de seu livro sobre o conjunto de toda sua obra:

“Dois elementos plásticos assinalam um lugar na paisagem. Dois signos de ressonância profunda: um, a cobertura curva – Abrigo do Homem; outro, a Cruz de Cristo. Acrescentam-se à paisagem. Essa delicada relação gera um espaço na paisagem de beira lago – um vazio que desenha o pequeno templo. Configura-se, entre o abrigo e a cruz, a fluida sucessão espacial que sugere o programa litúrgico da capela – o átrio, o batistério, a nave inclinada, o altar e a abside que se confunde com o lago. O espaço da capela é o espaço da natureza!”

Ao adentrar na capela ou observar suas fotos, qualquer pessoa é capaz de entender estas palavras que apresentam de forma inspiradora um espaço de rara simplicidade – e ao mesmo tempo – de profunda complexidade em seu conceito. A descrição do projeto de Tozzi, portanto, continua em forma de poesia:

“E esse lugar definido pelos elementos plásticos do desenho e da pequena igreja se integra à paisagem natural, sem limites, sem muros... A pequena capela assume a dimensão de uma catedral definida pelas montanhas do vale. As árvores tornam-se elementos iconográficos do templo assim desenhado. Os pássaros constituem-se protagonistas do espetáculo sempre renovado e mutável da natureza. O espaço do culto abrange, assim, o espaço do Universo.”

A comunhão entre a natureza e o sagrado presente no projeto é de tal forma singular na interpretação do espaço litúrgico, que a Capela da Fazenda Veneza assumiu papel de protagonista logo após sua inauguração, em 2003. Na verdade, bem antes disso. A casa-sede da Fazenda Veneza também foi projetada por Tozzi, em 1970. O espaço da capela estava previsto, mas o projeto não foi efetivado na época. Já na mão de novos proprietários, a fazenda ganharia sua capela com a intervenção da matriarca da família, que desejava construí-la para celebrar o casamento de uma de suas netas. Tozzi fez a maquete para presenteá-la pelos 79 anos. Na seqüência, o arquiteto sugeriu aos netos que a presenteassem com a obra pelo aniversário de 80 anos. Projeto concluído, a capela foi inaugurada com a missa em comemoração ao seu aniversário.

O primeiro prêmio ao projeto aconteceu durante a 9ª Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires. Seguiram-se outros como o da Premiação Bienal da AsBEA (Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura), em 2004, até culminar com o da Fundação Frate Sole, em 2008.

“A Capela da Fazenda Veneza ganhou vida própria, passou a ser protagonista de sua própria história, recebeu premiações importantes”, conta Tozzi. A capela conquistou também uma importante referência no livro do arquiteto Roberto Segre, renomado estudioso da arquitetura mundial, em seu livro Arquitetura Brasileira Contemporânea: “A sobriedade, a exatidão e o ascetismo da rigorosa linguagem minimalista estão presentes na leveza linear da capela de Tozzi”, diz ele no capítulo “A procura de novos caminhos”. O projeto da capela encanta e já foi publicado em 12 países.

Situada em Valinhos, interior de São Paulo, à beira de um lago, a Capela da Fazenda Veneza, grandiosa em sua concepção minimalista, disputou com projetos de grandes templos e mosteiros. As diretrizes básicas do desenho desse pequeno templo fundam-se na convergência do sacro e profano através da música, na relação aberta da religião e natureza e na consciência ecológica que permeia o cotidiano daquela comunidade.

A população local possui uma cultura rural de acentuada fé e religiosidade além de gosto pela música tradicional regional, através das modas e canções de viola. Tozzi conta que tocadores de viola individuais, conjuntos e até orquestras de violeiros fazem parte da cultura antropológica local e se expressam nas festas populares e procissões religiosas.

Conhecido por sua capacidade de “desenhar o vazio”, Tozzi explica como compõe no projeto a distância entre a nave e a cruz. “O vazio na arquitetura geralmente é percebido como um espaço entre volumes que tem função importante no conjunto. Na capela, o vazio desenha, em si, a sucessão dos espaços da liturgia do culto como o átrio, o batistério, a nave, o altar e a abside, que é o próprio lago.”

“Arquitetura é luz, espaço e matéria”, diz Decio Tozzi. Com esses elementos, o arquiteto vai transformando os espaços e expondo suas obras ao sol, ao vento, aos sonhos e convívio. Para Tozzi, a essencialidade da arquitetura desta capela infunde, nos momentos de fruição e meditação, a verdadeira dimensão do Homem no Mundo, inspirada na extrema essencialidade humana de São Francisco de Assis na forma como revelou aos homens e mensagem de Cristo.

A mais importante premiação de Arquitetura Sacra

O Prêmio Internacional de Arquitetura Sacra da Fundação Frate Sole, o mais prestigiado da categoria, visa promover o conhecimento e mostrar o que realmente é importante ao se projetar uma igreja. Em sua 4ª edição, a premiação acontece a cada quatro anos, no dia 4 de outubro - dia de São Francisco de Assis - e conta com o patrocínio do Vaticano.

O prêmio, destinado aos profissionais que tenham realizado alguma obra religiosa cristã nos últimos 10 anos, possui um júri seleto de arquitetos mundiais, como Francesco Dal Co, uma das maiores autoridades da crítica de arquitetura internacional, e o presidente do júri, Luigi Leoni.

Mil arquitetos se inscreveram para participar e apenas 250 foram pré-selecionados. Desses, seis profissionais saíram vencedores, entre eles, o paulistano Decio Tozzi, o primeiro brasileiro a ser premiado na história da Frate Sole, com a obra Capela da Fazenda Veneza.

Na primeira edição, em 1996, o vencedor foi o japonês Tadao Ando; na segunda, em 2000, foi o português Alvaro Siza; e a terceira edição, em 2004, foi o romeno Richard Meier.

Tozzi diz, com emoção, que confiava no projeto, mas, ao mesmo tempo, surpreendeu-se pela premiação. “Ser um vencedor do prêmio oferecido pela Fundação Frate Sole é um reconhecimento único”. Com o prêmio, Tozzi passa a integrar a galeria de grandes profissionais e coloca o Brasil num seleto grupo da arquitetura mundial da categoria de arquitetura sacra.

Decio Tozzi, compromisso com a essência do Ser Humano

O arquiteto Decio Tozzi, nascido em São Paulo em 1936, é formado em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie em 1960, foi professor do Mackenzie e da Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo (USP), onde também realizou seu Mestrado em Estruturas Ambientais Urbanas, em 1967.

No decorrer de sua trajetória profissional, Tozzi foi diretor do Instituto de Arquitetos do Brasil de São Paulo e membro do Conselho Superior do Instituto de Arquitetos do Brasil de 1970 a 1971. Em 2005, foi vice-presidente e membro do Corpo de Jurados do Instituto. Realizou diversas conferências sobre Arquitetura em Buenos Aires, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Brasília, Fortaleza, Cuiabá, Campinas e Santos; e conferências sobre Recuperação Urbana em Santos, Mogi das Cruzes, Itatiba, Americana, São Paulo, Recife, Maceió, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Campinas e Buenos Aires.

Tozzi foi vencedor de inúmeros prêmios, acumulando de 1959 a 2008 vinte e uma premiações. Entre os mais recentes estão o 1º Concurso Internacional de Arquitetura, via Internet, da 9ª Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires, com a Capela da Fazenda Veneza, em 2001; a IX Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo; Concurso Bairro Novo de São Paulo, em 2004; Premiação na Bienal da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA), em 2004, também com a Capela da Fazenda Veneza; o Prêmio na Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza, com o projeto da Pedreira do Chapadão em Campinas, em 2006; e o mais recente Prêmio Internacional de Arte Sacra, da Fundação Frate Sole, em 2008.

Tozzi também participa de diversas exposições, como as do Instituto de Arquitetos do Brasil e também realiza exposições individuais e coletivas em São Paulo, Buenos Aires, Roma, Berlim, Amsterdã, Jerusalém e Madrid. Participa de concursos internacionais como convidado na França, Coréia do Sul e Egito.

O arquiteto é autor de inúmeros trabalhos de sucesso, como o Parque Villa-Lobos, grande parque verde da cidade de São Paulo; Fórum Trabalhista Ruy Barbosa; Espaço de Celebração Papal, em Maceió; Spazio 2222, residencial de alto padrão na capital paulista, em que o arquiteto procurou levar a uma torre de apartamentos um pouco das antigas vilas paulistanas, com um pátio interno comum coberto de vidros; entre outros projetos reconhecidos.

É também autor do livro “Arquiteto Decio Tozzi”, em que expõe seus mais importantes trabalhos, desde os primeiros projetos até os mais recentes, lançado em uma sala especial na Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, em 2005. O livro contém fotos, ilustrações, desenhos e textos que ilustram o pensamento e obra de um dos maiores arquitetos da prática arquitetural brasileira atual. A emoção se completa com o relato das memórias do arquiteto, momento em que se evidencia seu envolvimento com a arquitetura e com a cidade de São Paulo.

Desde os projetos mais antigos, como a Escola Técnica de Santos, de 1963, Tozzi busca a essência, o bem-estar e convívio harmonioso. Sua proposta para o entendimento da razão da existência é a fusão entre a fé e a ciência, a harmonia entre o humano e o sagrado. “O arquiteto deve estar atento ao seu tempo, descobrir e revelar essa modernidade contemporânea. O engajamento do arquiteto é seu compromisso com a essência do ser humano e da sociedade”, explica Tozzi.

Para Decio Tozzi, a maior obra da arquitetura mundial de todos os tempos são as pirâmides do Egito. Entre os arquitetos internacionais e brasileiros, ele acredita que os profissionais que se tornaram referência para o design contemporâneo, sendo considerados verdadeiros mestres são Frank Lloyd Wright e Le Corbusier, no exterior; e Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy e João Batista Vilanova Artigas, no Brasil.

O arquiteto tem uma rotina de trabalho longa. “Às nove horas estou no escritório e saio de lá somente às nove horas da noite, mas não é só trabalho. Recebo amigos, desenho e estudo muito. Os jovens arquitetos sempre aparecem para um alegre contato. Consegui criar um universo de criatividade em meu estúdio”, conta, sem esconder a paixão pela profissão que abraçou.

Comentários

Mais artigos

Projetando escritório de advocacia, com criatividade no aproveitamento dos espaços

Rose Elizabeth Mello – DiversiArte

A mulher, o trabalho e o stress

Benedito Abbud: 40 anos de história na arquitetura paisagística

Arquiteto Zanettini completa 50 anos dedicados à arquitetura

Projeto cria conselho exclusivo para arquitetos

A crise está terminando. Você ganhou ou perdeu com ela?

O profissional e o sucesso do projeto

A lua que não dei!

Capela brasileira recebe Prêmio Internacional de Arquitetura Sacra

Para sua reflexão

O encanto do paisagismo de Gilberto Elkis

Bruno Padovano -– criar é preciso!

Siegbert Zanettini -- 40 anos de sucesso

Em Santos, arquiteta concilia família e profissão sem mistérios

Karina Korn