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por Eng. Marcos Storte

Tratamento das áreas molháveis com paredes em gesso acartonado



Com a implementação no Brasil da utilização de fechamentos internos com painéis de gesso acartonado em substituição às paredes de alvenaria convencionais, sistema utilizado há mais de 100 anos nos países mais desenvolvidos do mundo,-

- surgiu a necessidade da combinação de sistemas impermeabilizantes já disponíveis no mercado e do desenvolvimento de detalhamentos técnicos específicos para atender às necessidades de proporcionar estanqueidade às áreas molháveis.

A utilização de placas de gesso acartonado especiais ou delgadas de concreto, resistentes à umidade e à proliferação de fungos, não exime à necessidade da impermeabilização pois o sistema de montagem gera pontos vulneráveis à passagem de água.

A garantia de desempenho dos fechamentos internos no sistema de gesso acartonado em áreas molháveis está diretamente relacionada a atenção dada aos tratamentos específicos executados nestes detalhes de montagem.

A. TIPOS DE PLACAS

1 .Placa Verde

Placa de gesso acartonado especial que recebe tratamento a base de silicone na superfície do papel cartão e também no miolo de gesso. Este tratamento atribui à placa resistência à umidade, vapores e à proliferação de fungos, porém não oferece resistência à água não sendo indicado para usos externos, saunas e locais onde a umidade e o vapor podem transpassar pelo revestimento superficial final e atingir a placa.


2. Placa cimentícia ou placa delgada de concreto

Placa fabricada à base de fibras não orgânicas, agregados leves e massa cimentícia. No Brasil falta regulamentação e normalização tanto para a sua fabricação quanto para a sua aplicação. Atualmente estão sendo seguidas normas internacionais. A correta utilização pede o emprego de barreiras contra a umidade por detrás da placa, com função básica de retardo a vapores. Tem como desvantagem o peso relativamente superior ao das demais placas e como vantagem o uso em áreas externas.


3. Placa sintética

Placa fabricada à base de gesso tratado por silicone em níveis mais profundos que as placas verdes. Entram em sua formulação componentes à base de fibras não orgânicas, sintéticas e outras como as fibras de vidro. Estes materiais tem excelente durabilidade e resistência quando expostos à umidade excessiva, inclusive em áreas como saunas, lavanderias industriais e terraços externos.

B. REVESTIMENTOS SUPERFICIAIS SOBRE AS PLACAS VERDES

Para as áreas molháveis recomenda-se que sejam utilizados revestimentos cerâmicas ou a base de laminados plásticos. O cuidado fundamental a ser observado é o perfeito rejuntamento entre as peças de forma a garantir que a umidade e vapores não penetrem por entre as peças e atinjam a placa.

C. TRATAMENTOS IMPERMEABILIZANTES


1 .Calafetações


Os elementos fixados diretamente nas paredes de gesso acartonado como registros, torneiras e demais pontos de hidráulica, são pontos que facilitam a passagem de água. Devem portanto, além de serem fixados de forma correta e eficaz, receberem uma calafetação na interface entre o ponto e a placa, com MONOPOL , que ofereçe boa aderência na placa e nas tubulações, consistência adequada para a aplicação e boa estabilidade físico-química.


Deve-se prever também, a calafetação das peças a serem instaladas nas áreas molháveis como bancadas, pias, lavatórios, etc. Além das características requeridas para o MONOPOL , devem ser observadas condições de bom acabamento, estabilidade de cor e atoxidade.


2. Impermeabilização dos rodapés


2.1 Critérios para a seleção do sistema impermeabilizante


Existem vários sistemas impermeabilizantes que podem ser utilizados nos rodapés das áreas molháveis, executadas com gesso acartonado, com excelente desempenho. Porém para se fazer uma correta especificação deve-se considerar algumas variáveis a saber:

Haverá impermeabilização no piso e qual sistema ser. adotado? (*)

* Qual a espessura disponível para a impermeabilização?
* Qual revestimento superficial será utilizado sobre a placa?
* O revestimento superficial será aplicado diretamente sobre a placa?
* Haverá necessidade de rodapés com alturas maiores que 30 cm em função da utilização?
* Que tipo de estrutura será utilizada a impermeabilização para a seleção de suas características quanto à flexibilidade?

De posse destas informações pode-se partir então, para a seleção do sistema impermeabilizante mais adequado, compatibilizando todas as variáveis envolvidas.


(*) ...sempre recomendável que as áreas molháveis recebam impermeabilização em toda a área: piso e rodapés.


2.2 Sistemas propostos


a. SISTEMA I- VITKOTE ELASTIC - mono componente

Sistema impermeabilizante elástico, "moldado in loco", à base de asfalto modificado com elastômeros sintéticos, dispersos em meio água, aplicado a frio e estruturado com uma tela de poliéster.


b. SISTEMA II- VIAPLUS 5000 - bi-componente

Sistema impermeabilizante elástico, "moldado no local", à base de resinas termoplástica e cimentos aditivados, aplicado a frio e estruturado com uma tela de poliéster.


c. SISTEMA III - VIAPLUS 1000

Sistema impermeabilizante semi-flexível, "moldado in loco", à base de dispersão acrílica + cimentos especiais e aditivos minerais, bi-componente, aplicado a frio, podendo ser estruturado com uma tela de poliéster.


d. SISTEMA IV - VIAPOL PREMIUM POLIESTER OU GLASS PL/EL 3 mm

Sistema impermeabilizante elástico, pré-fabricado, à base de asfalto modificado com plastomero (APP) ou elastomero (SBS), estruturado com uma armadura não tecida de filamentos contínuos de poliéster ou de fibra de vidro.


2.3 Preparo de superfície

a. Piso

Tipo A - Executar a regularização da superfície com argamassa de cimento e areia, traço 1:3, promovendo caimentos mínimos de 1% em direção aos ralos. Observar os cuidados básicos referentes às condições do substrato para receber a regularização: limpo, sem impregnações de qualquer natureza e umedecido com a mistura de uma parte de água para uma parte de Viafix Acrílico. Para as impermeabilizações pré-fabricadas (mantas asfálticas), providenciar um rebaixo de 0,5 cm de profundidade, numa área de 20 x 20 cm ao redor dos ralos, para execução dos arremates.

Tipo B - Executar a limpeza do substrato através de limpeza com escova de aço ou jato de água sob pressão. Verificar a existência de falhas de concretagem, ninhos, depressões e promover a retirada de elementos estranhos à estrutura como pontas de ferro, tocos de madeira, etc.. Recompor estas áreas com argamassa de cimento e areia, traço 1:3, lançada sobre substrato umedecido com a mistura de uma parte de água para uma parte de Viafix Acrílico. Deixar uma canaleta em forma de U ao redor das tubulações de no mínimo 1 x 1 cm e no máximo 2 x 1 cm ( largura x profundidade).


b. Rodapé

As impermeabilizações elásticas com espessuras maiores ou iguais a 3mm, recomendamos que sejam embutidas nos rodapés de forma a não prejudicar a


2.4 Metodologias de aplicação dos sistemas impermeabilizantes


Seguir as recomendações do Manual Técnico da Viapol. O Sistema 1, também tem a opção do VITLASTIC 70, mono componente, dispersão de asfalto e elastômeros sintéticos em solvente, aplicado a frio, moldado "in loco".


2.5 Combinações possíveis


Tabela 1



2.6 Detalhes Executivos

Seguem anexos, detalhes executivos exemplificando as combinações possíveis constantes na Tabela 1 - coluna OPÇÕES.


IMPERMEABILIZAÇÃO EM PAREDES DE GESSO ACARTONADO


IMPERMEABILIZAÇÃO EM PAREDES DE GESSO ACARTONADO


IMPERMEABILIZAÇÃO EM PAREDES DE GESSO ACARTONADO

BIBLIOGRAFIA

Trabalho do Eng. Marcos Storte constante dos Anais dos Seminários de Soluções Tecnológicas Integradas - Paredes de Gesso Acartonado e Sistemas Complementares, apresentados nas cidades de Curitiba-PR, Belo Horizonte-MG, Rio de Janeiro-RJ e Porto Alegre-RS
NBR-9575/2003 - Impermeabilização - Seleção e projeto
NBR-9952/98 - Manta asfáltica com armadura para impermeabilização - Requisitos e métodos de ensaio.
NBR-11905/92- Sistema de impermeabilização composto por cimento impermeabilizante e polímeros.
NBR-9685/86 - Emulsões asfalticas sem carga para impermeabilização


* Todas as opções de impermeabilização de rodapé devem necessariamente sobrepor no mínimo 10 cm em direção ao piso
** Nesta combinação é necessário a calafetação da junção placa/piso, com MONOPOL, como garantia adicional


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