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Em Retrofit e Restauração (veja mais 28 artigos nesta área)

por Arq. Fabio Rocha / Sílvia Rocha

Marcenaria artística: ocupação mais produtiva dos espaços, aliando estética e sustentabilidade!



Podemos afirmar que a marcenaria foi uma das grandes rodas que ampararam e mudaram o mundo. Se retomarmos a história, lembraremos que ela teve um papel fundamental na maior parte das grandes e maravilhosas invenções e engenhosidades que hoje nos cercam.

Bem antes das magníficas descobertas entranhadas na terra, como o ferro e o petróleo, a marcenaria já se apresentava exuberante e frondosa, convidando seus escolhidos a idealizar, projetar e conceber peças maravilhosas.


Por séculos a marcenaria atravessou os mares, ultrapassou limites, reinou em castelos, cedeu trono a príncipes e reis, motivou exércitos e produziu sons inesquecíveis. Entre seus maiores feitos, destacam-se a Arca de Noé e o Cavalo de Troia.

Quando feita manualmente, exige paciência e habilidade, transformando os marceneiros em verdadeiros artistas. Na evolução da humanidade a madeira foi uma das primeiras matérias-primas a ser utilizada nos meios de transporte, na construção de habitações e numa infinidade de objetos, entre os quais esculturas, entalhes de móveis, xilogravuras e utensílios domésticos imprescindíveis à subsistência do homem e de seus padrões culturais e socioeconômicos, marcando a identidade de cada povo.Em relação ao imaginário popular, festas e folclore, destaca-se sua presença nas imagens de santos e anjos e nos carros alegóricos do carnaval.

Definir a marcenaria, da casa ou do escritório, costuma ser um dos momentos mais empolgantes do projeto arquitetônico. De A a Z, muitos são os tipos de madeiras utilizadas no Brasil. Amapá, Andiroba, Cabreúva, Freijó, Grumixava, Imbuia, Jatobá, Mogno, Pau-Marfim, Sucupira ou Tauari? Qual é a melhor opção para aquele lindo closet? Ou para o bar igualzinho ao do filme? Ou ainda para a cozinha daquele programa de TV? Qual é a mais bonita? E a mais durável? O que dizem os arquitetos e designers sobre moda e tendências? Por apresentarem características específicas, recomenda-se bastante cuidado na hora de escolher o tipo ideal a sua necessidade.

Algumas mudanças são verificadas na produção de peças, pois a cada dia utilizam-se mais os laminados industrializados: compensado, mdp, mdf, fórmica, folhas de madeira, melamínico, entre outros. Ainda assim, apesar de o marceneiro moderno fazer uso de máquinas, para grande parte de seu trabalho ele ainda é considerado um artesão. O profissional que produz exclusivamente móveis modulados, principalmente de chapas industrializadas como o mdf e o mdp, designa-se moveleiro.

Os marceneiros atuam, principalmente, na confecção e reparação de móveis. Geralmente, essas atividades são executadas com base em especificações de projetos, desenhos, esboços e solicitações de clientes e/ou arquitetos, decoradores e designers.

Acrescenta-se ainda, ao trabalho dos marceneiros, a possibilidade de realizarem entrega e montagem dos produtos. Na execução de um projeto arquitetônico, o marceneiro é um dos profissionais que mais contribuem para a sofisticação dos ambientes. Entretanto, para que seu trabalho seja de qualidade, é preciso que ele busque, constantemente, atualização tecnológica, seja eficiente no planejamento de todas as etapas (do projeto à confecção ou restauração dos móveis), tenha uma visão espacial (incluindo noções de geometria e matemática) e estabeleça boas parcerias com profissionais das áreas de projetos.

Outra questão emergente nos dias atuais refere-se à sustentabilidade. Apesar da conduta puramente extrativista ainda presente em nossa cultura, existem segmentos da sociedade que, felizmente, se preocupam com o meio ambiente e desenvolvem tecnologias de uso da madeira de forma sustentável, tendo em vista um melhor aproveitamento da produção florestal.

Os danos causados pela retirada da madeira em grande escala e de forma unicamente extrativista têm preocupado ambientalistas, e uma educação voltada para a coexistência ecológica e para o manejo sustentável da matéria-prima tornou-se fundamental.

Os melhores padrões e critérios de manejo florestal são os estabelecidos pelo Conselho de Manejo Florestal (em inglês, Forest Stewardship Council – FSC). É preciso que a sociedade tome consciência disso e incentive a produção sustentável de madeira, exigindo o certificado de que a extração foi feita de forma legítima. Embora a preocupação com o selo verde ainda não seja uma condicionante para o consumidor brasileiro, sabe-se que a conscientização é progressiva.

Apesar de o Brasil ainda estar longe dos padrões internacionais de exigências ecológicas, algumas questões devem ser consideradas por quem produz e por quem projeta, tais como: análise de impacto ambiental, plantação x demanda, análise de ciclo de vida, artesanato e produção comunitária, restauração de mobiliário, materiais sustentáveis e responsabilidade socioambiental.

O uso da madeira de demolição é uma forma nobre de expressão na realização de um projeto arquitetônico, desde o mais simples até o mais sofisticado, pois seu objetivo de trabalhar o contraste entre o antigo e o moderno é realçado, resultando em belíssimos trabalhos, com elegância e responsabilidade ecológica. Grande parte dos trabalhos executados com madeira de demolição parte da idealização de profissionais da arquitetura, design ou decoração, projetando com estilo contemporâneo com traços antigos a acabamentos finos nos mais diversos materiais envelhecidos ou restaurados.


Com a mão de obra especializada de marceneiros e artesãos hábeis na profissão, pode-se com a madeira de demolição transformar os mais desafiadores projetos em obras-primas. O Brasil é um país reconhecido pela qualidade de seu trabalho em peças e design de ambientes utilizando madeira de demolição, exportando sua mão de obra e seus produtos para variados mercados do mundo, como Estados Unidos, Europa, Ásia e América Latina.

O sistema de trabalho e a ocupação dos espaços estão em constante mutação, e atualmente a evolução do design de mobiliário deve contemplar conceitos como ergonomia, mobilidade e acessibilidade. Para acompanhar as mutações, é exigido que a arquitetura contemporânea utilize o mobiliário como elemento fundamental na ocupação mais produtiva dos espaços, aliando ainda conceitos de estética e sustentabilidade!


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