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Em Retrofit e Restauração (veja mais 29 artigos nesta área)

por Sylvio Nogueira

Casas antigas merecem respeito - 1ª parte



Restaurações de casas antigas, para fins de comércio, converteram-se em tarefas, muito freqüentes, e desafiadoras, para arquitetos, decoradores, "designers", engenheiros e empreiteiras envolvidas com o chamado "retrofit". E os resultados finais, nos campos estético e promocional, são, quase sempre, de inegável e excelente qualidade.

A prática em patologias da construção civil urbana tem revelado, contudo, a insistente repetição de algumas intervenções que respondem por problemas capazes de comprometer a longa durabilidade das reformas e, até, a essencial salubridade dessas edificações.


Oportuno, portanto, chamar a atenção, do meio profissional, para algumas abordagens que se têm mostrado equivocadas e, muito frequentemente, nocivas:

1. Telhamentos

Configuração existente

•Estruturas de madeira (tesouras ou dispositivos afins);

•Telhas de barro, dos tipos marselha ("francesa"), em goivas ("colonial"), etc.

Intervenções mais frequentes

•Redução de inclinação, nas "águas", com ou sem troca de telhas;

•Pinturas (ou colagem de películas refletivas) sobre faces expostas das telhas.

Observações

•Redução de inclinação, nas "águas"

◦Cada tipo de telha impõe - e exige – um caimento mínimo; e as casas antigas costumam obedecer, de modo geral, tais inclinações.

◦Qualquer redução, dos ângulos originais, poderá gerar infiltrações (fatais goteiras), principalmente sob fortes chuvas.


•Pinturas (ou colagem de películas) sobre faces expostas das telhas.

◦Telhas de mescla (de barro, de cimento-amianto e afins), precisam manter constante regime de troca, de umidade, com o ar ambiente; isto ocorre tanto nas faces expostas a chuvas como nos áticos confinados (umidade relativa do ar), de modo a alternar ciclos, relativamente uniformes, de saturação e de secagem.

◦Quando as telhas são "seladas", na face exposta superior, a troca de umidade passa a ocorrer, apenas, pelo ar contido no ático. Resultado: as telhas tendem a "inchar", nas faces inferiores, o que impõe deformações do tipo "encanoamento" e conseqüentes aberturas das frestas de encaixe (o que, por óbvio, favorece infiltrações), além de se tornarem mais quebradiças sob trânsitos eventuais.

◦Conclusão: pinturas precipitadas, sobre telhamentos, ainda que recebam nota dez em Estética, poderão ter nota zero em Física.

2. Fachadas

Configuração existente

•Paredes portantes de alvenaria, de generosa espessura, erguidas com tijolos maciços ou de 2 (dois) furos, usualmente assentes segundo o sistema "paramento inglês".

•Revestimentos de argamassa convencional, cobertos com caiação, pinturas à base de cimento e/ou de PVA comum.

Intervenções mais frequentes

•Descascamento total das faces externas, expondo os tijolos.

•Restauração do revestimento de argamassa e aplicação de texturas ou tintas acrílicas.

Observações

•Descascamento das faces externas.

◦As argamassas utilizadas no assentamento de tijolos de barro eram – e ainda são – de traço relativamente pobre em cimento, pois isto é condição, básica, para que as paredes possam "trabalhar" de modo mais ou menos homogêneo (o mesmo vale para emboços e rebocos, que devem ter plasticidade compatível com a natural mobilidade do substrato).

◦Por outro lado, tijolos maciços – ou de dois furos – implicam em "malha", de argamassa de assentamento, extremamente densa; significa dizer que tais alvenarias possuem alta presença de rejuntes, de argamassa, por metro quadrado. Ora, esta "malha absorvente", associada à porosidade e aos furos expostos dos tijolos primitivos ("amarrações"), forma superfície particularmente sensível à absorção de chuva. Eis o motivo pelo qual edificações antigas, pelo mundo afora (salvo a "fachwerkhaus" alemã e casas assemelhadas, nas quais os beirais exerciam suficiente proteção pluvial), são revestidas e pintadas.

◦Tais "streap-teases" de fachadas, quando absolutamente inevitáveis (até por pedido, irrecusável, do cliente), devem estar associados, sempre, a uma perfeita hidrofugação das superfícies desnudadas; recomenda-se, para tanto, produtos à base de silano/siloxano, ou de acrilatos puros, solúveis em água. Atenção: fluidos repelentes, siliconados, de ação apenas superficial, são sensíveis à radiação solar e terão eficácia extremamente curta; mas serão, com certeza, os primeiros – ou únicos - a encontrar nas lojas "especializadas". Questão, pois, de correta procura.

•Restauração do revestimento e aplicação de texturas ou tintas acrílicas.

◦Os prédios ditos "antigos" – argamassados e caiados; ou pintados com tintas à base de cimento, etc - foram os últimos a "respirar" : umedeciam, por todos os poros externos e, também por eles, evaporavam de maneira uniforme e com velocidade suficiente para evitar exsudações rumo aos recintos internos.

◦Óbvio que exigiam lavaduras e repinturas mais freqüentes, "incômodo" este que vem servindo, há décadas, como "gancho" para justificar os "mantos asfixiantes" que estamos impondo às edificações urbanas, notadamente com o trio de acabamentos formado por "pastilhas de grés" (invariavelmente assentes sem juntas de trabalho), "granilhas" e películas acrílicas, sejam estas texturadas ("grafiattos" e afins) ou lisas.

◦De fato, tais produtos, sendo predominante estanques, não permitem que águas infiltradas por inevitáveis microfissuras (geradas por arrastos térmicos ou mecânicos) sofram adequada e tempestiva evaporação para o exterior; ora, como as faces internas das paredes de fachada não oferecem grande resistência à evaporação, não surpreende que estas sejam as mais costumeiras vítimas de danos (que envolvem emboços, rebocos, pinturas, carpetes, papéis de parede, espelhos, armários, roupas, etc).

◦Resumindo: os construtores antigos não dispunham dos derivados de petróleo que abençoam (e, também, infernizam) a atual construção urbana; mas sabiam, com certeza, com o que estavam lidando e como erguer uma edificação ecologicamente correta. De fato, parece grotesco, hoje, elocubrar sobre "feng-shui", cristais, pirâmides, runas, etc, depois que a casa já foi convertida - por flagrante desinformação técnica - em literal e confortável estufa para criação de bolores.


Sylvio Nogueira, arquiteto, formado em 1966, bolsista do governo alemão (Technische Hochschule Stuttgart), ex-professor universitário (PUC/PR-Tecnologia das Construções) e perito em defeitos da construção civil, com larga experiência na elaboração e coordenação de projetos, supervisões de obras (Brasil, Paraguay e Bolívia), laudos, perícias e assistências técnicas em ações judiciais, envolvendo condomínios (ou proprietários individuais) e empresas construtoras.


Fonte: www.ecivilnet.com

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