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Em Retrofit e Restauração (veja mais 30 artigos nesta área)

por Sylvio Nogueira

Casas antigas merecem respeito - 2ª parte



Continuidade de abordagens que se têm mostrado equivocadas nas restaurações de casas antigas, com as quais procuramos evitar a insistente repetição de algumas intervenções que respondem por problemas capazes de comprometer a longa durabilidade das reformas e, até, a essencial salubridade dessas edificações:
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1. Janelas de madeira

Configuração existente
•Caixilhos e folhas, de madeira rija e nobre, cobertos por diversas camadas de tinta, á base de óleo (originais) e/ou de resinas sintéticas (repinturas posteriores).

•Vidros assentes com mescla denominada "massa de vidraceiro".

•Folhas móveis abrindo para o interior e dotadas de "narizes" inferiores, balanceados sobre o peitoril (também de madeira), que possui, com freqüência, canelura e furação para expulsão de águas acidentais (chuvas com ventos fortes).

Intervenções mais frequentes

•Remoção total da pintura e aplicação de verniz, expondo a madeira – e a "massa de vidraceiro - à insolação direta.

•Sobreposição de novos "narizes" (em reformas de caixilhos apodrecidos).

•Tamponamento de furações, no fundo das caneluras de peitoris.

Observações

•Remoção total da pintura e aplicação de verniz.

◦Ao encontrar uma belíssima imbuia, sob as camadas de pintura, alguns restauradores costumam ter a idéia de deixar, à mostra, a decantada "verdade do material". Para tanto, não é raro que ignorem mais de 100 anos de pintura (e o fato de que em Ouro Preto, no Pelourinho e no resto do planeta não existem janelas antigas sem tal proteção), e decide trocá-la por reles 8 ou 12 meses de envernizamento; ou, quando muito, por imunizantes de madeira, pigmentados.

◦Quanto ao verniz: ser for acetinado ou fosco, emprestará baixa proteção contra chuva; se for brilhante, a radiação solar atravessará o filme e romperá suas cadeias de coesão, gerando o mesmo problema. Atenção: recentes pesquisas (notadamente da BASF e empresas afins) apontam para componentes químicos capazes de aumentar a resistência, de vernizes, à insolação e ao ressecamento por ventos, para até 2 ou 3 anos; performance que, como se percebe, ainda não pode competir com uma simples e prosaica camada de pintura.

◦Os vidros foram fixados, aos quadros das janelas, com auxílio de baguetes (ou, apenas, de pequenos pregos) e mescla de gesso cré, alvaide, óleo de linhaça e óxido de chumbo (denominada "massa de vidraceiro"), cuja inegável eficácia, no passado, esteve vinculada, sempre, ao simples e óbvio cobrimento com pinturas (usualmente a óleo ou esmalte sintético). Com a açodada remoção da tinta, a ancestral e competente massa (seja original ou reposta na reforma) resulta exposta ao vento e às insolações, sem qualquer película protetiva; na sequência, não há qualquer surpresa: ressecamento, fissuras, retenção de umidade e progressivo descolamento.

•Sobreposição de novos "narizes" de madeira.

◦a) Ao lados inferiores das folhas tipo charneira – que abriam para dentro - costumavam ser formados por peça única, de madeira, cuja seção se projetava, para o exterior, formando uma pingadeira ou "nariz contínuo" (ou havia justaposição perfeita, do tipo sambladura, entre dois perfis).

◦b) Não é raro encontrar, em janelas hoje restauradas (com "pouca verba"), a simples sobreposição de pingadeiras, aos perfis-base de seção retangular, através de pregos, deixando frestas por diferenciais de deformação das madeiras expostas (busca da "verdade do material"), pelas quais se infiltra a água da chuva.

•Tamponamento de furações, no fundo das caneluras de peitoris.

◦Os construtores do passado sabiam (eram, pois, sábios) que as janelas dotadas de folhas que abriam para dentro eram vulneráveis à penetração de chuvas impelidas por fortes ventos. Por isto, costumavam executar caneluras, no perfil inferior da moldura fixa (peitoril), para coleta de tais águas e posterior condução, para fora, por engenhoso "dreno", obtido por dois furos, na madeira, entre si angulados.

◦Por não perceberem a função de tais perfurações, alguns reformadores ordenam sua simples obturação; o que dispensa mais comentários.

2. Porões

Configuração existente

•Embasamentos "corridos", de pedra argamassada (operando como baldrames contínuos, usualmente sem estacas), que recebem cargas transmitidas pelas alvenarias portantes da edificação.

•Vigamentos e assoalhos, de madeira rija, apoiando sobre os mesmos embasamentos.

•Aberturas gradeadas (ditas "gateiras"), logo acima do passeio (e nos fundos, onde possível), para evaporação da umidade do solo, que se encontra usualmente situado, pelo menos, a 70 ou 80 centímetros abaixo das vigas de madeira, formando vazio comumente denominado "cave" ou "porão". Intervenção mais frequente

•Eliminação do piso de madeira, seguida de aterramento do porão e assentamento de lastro, de concreto simples, destinado a receber contrapisos e pisos acabados.

Observações

•Até o advento do concreto armado, era quase obrigatório que os pavimentos térreos fossem formados por estruturas "voadoras", executadas em madeira, sob pena de fatal ascensão, até as paredes, da umidade contida no solo.

•A partir da virada dos séculos 19 e 20, os construtores adaptaram os pisos térreos ao uso do concreto, sob a forma de lastros simples, lançando-os (sobre terreno apiloado e camada de brita) nas molduras formadas por vigas-baldrame. Entretanto, para seguir defendendo as paredes de alvenaria contra a umidade ascendente, tinham o especial cuidado de assentar, sobre as vigas de fundação, largas tiras de papelão alcatroado, cujas abas (4 ou 5 centímetros além das larguras das vigas) serviam para cobrir as frestas capilares geradas pela inevitável retração do lastro. Este procedimento foi literalmente banido da construção civil brasileira; e sua falta responde, hoje, por centenas de milhares de paredes insalubres (faixas inferiores arruinadas) em todo o país.

•Fica evidente que o uso do papelão betumado, à época dos erguimentos das casas dotadas de porão e assoalhos, era simplesmente desnecessário. De fato, a umidade evaporava do solo e não chegava a condensar sobre o madeiramento do piso, pois as "gateiras" respondiam pela tiragem do ar saturado.

•O que acontece, pois, quando algum "espert" (não "expert") tem a infeliz idéia de aterrar o porão e "lascar" um lastro de concreto por cima ? Simples: como o novo piso precisa nivelar com a cota acabada do assoalho original, o aterramento fatalmente entrará em contato com a alvenaria primitiva; aí, a casa, que foi salubre por cem anos, contrai súbita e quase incurável moléstia construtiva. De fato, o fenômeno somente poderá ser minimizado, depois, com complicadas (e onerosas) injeções de produtos à base de dióxido de silício ou semelhantes artifícios. Mas, aí, o autor, de mais essa "façanha", já estará longe e, mais uma vez, "retrofitando".


Sylvio Nogueira, arquiteto, formado em 1966, bolsista do governo alemão (Technische Hochschule Stuttgart), ex-professor universitário (PUC/PR-Tecnologia das Construções) e perito em defeitos da construção civil, com larga experiência na elaboração e coordenação de projetos, supervisões de obras (Brasil, Paraguay e Bolívia), laudos, perícias e assistências técnicas em ações judiciais, envolvendo condomínios (ou proprietários individuais) e empresas construtoras.


Fonte: www.ecivilnet.com

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