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Saiba mais: www.sustentax.com.br

Em Arquitetura sustentável (veja mais 117 artigos nesta área)

por Arq. Vinicius Barbosa

O Brasil e a necessidade de aplicar os conceitos da arquitetura sustentável



Nunca o homem se vangloriou tanto de suas conquistas intelectuais, científicas, tecnológicas, assim como nunca antes reclamou com tanta intensidade dos prejuízos que esse desenvolvimento trouxe ao meio ambiente. E é nessa leva de conscientização atual que a construção civil se vê, a cada dia, mais obrigada a implementar conceitos sustentáveis nas edificações de todo tipo.
Atualmente existe uma demanda globalizada de produtos, fato gerado pela estreita relação entre as nações através da facilidade de comunicação (internet, telefonia móvel, satélites), da velocidade dos meios de transporte e, principalmente, da produção em grande escala. No entanto, apesar dos diversos benefícios que o mercado global oferece para o conforto dos mais isolados povos, surge o fator meio ambiente como o maior afetado pelo consumo desequilibrado. E onde o arquiteto tem responsabilidade na questão?

Nos diversos períodos da história, observam-se construções características em cada região. As edificações em mármore de Roma, o branco homogêneo das Ilhas Gregas e os tijolos vermelhos aparentes da reconstruída Toulouse representam não somente o reflexo da cultura de seus respectivos povos em forma de arquitetura, mas primordialmente a condição imposta ao homem pela natureza quanto à disponibilidade de matéria-prima. Obviamente que antigamente os construtores não tinham muita opção, a não ser utilizar os materiais disponíveis no entorno imediato exceto, talvez, no caso das grandes edificações públicas, devido ao preço do transporte.

Mas, além de cada povo ser imortalizado pelo seu estilo arquitetônico, ganhava-se em vários aspectos técnicos, como por exemplo maior eficiência termo-acústica, pelas grossas paredes de adobe ou de pedra. A natureza é perfeita, pois “especifica” as matérias-primas que melhor se comportam no meio em que se localiza.

Com o avanço tecnológico, o homem descobriu, exigiu e passou a transportar materiais construtivos de uma cidade para outra, ocasionando produção maior para cobrir a demanda e transporte até o requisitante. Estes fatores são geradores de poluição, contribuem para o desequilíbrio ambiental e acarretam perda de qualidade de vida. Sem contar as duvidosas soluções importadas como, por exemplo, as empenas de vidro em climas tropicais, que levam a nos questionar sobre até que ponto é saudável a satisfação estética em detrimento do meio em que vivemos.

A importância do arquiteto no controle ambiental é fundamental, pois quando uma solução bem sucedida é utilizada em larga escala, modifica significativamente o contexto, visto que onde há progresso, há edifício.

Um grande apoio a tais inovações é dado através dos diversos eventos temáticos (ex.: Casa Cor, Casa Nova...), que têm bastante visibilidade, quando não dos formadores de opinião, das classes de poder aquisitivo elevado. Nessas ocasiões, surge-se a grande oportunidade de se desvincular o projeto sustentável da imagem de subsistência, de primitivismo, uma vez que buscam-se aplicações de materiais, técnicas e tecnologia num modelo de bom gosto. Existe um público com poder de compra que, mesmo com desejo pelo sustentável, evita ou teme a arquitetura ecologicamente correta, por desconhecer as possibilidades esteticamente favoráveis que a mesma pode proporcionar.

A nova legislação de obras do Reino Unido, que exigirá a partir de 2016 um modelo construtivo sustentável, dita uma nova ordem arquitetônica mundial, ratificando o papel fundamental do arquiteto na recuperação do bem estar global.

O Brasil tem um bem sucedido processo de responsabilidade ambiental, só que ele está mais relacionado à pobreza e à falta de oportunidades no campo de trabalho do que a uma preocupação social e governamental. Onde, por exemplo, catadores de latinhas vêem na reciclagem sua tábua de salvação, há um avanço grande em relação a soluções inovadoras e criativas.

Foto acima: Conjunto de apartamentos feitos com arquitetura sustentável em Victoria, Australia por Hansen Yuncken em 2006. Tem aquecimento solar, usa materiais reciclados e ecológicos, células fotovoltaicas para gerar energia elétrica, tratamento de água e coleta de águas pluviais.
Bons exemplos na construção são o reaproveitamento de alumínio proveniente de embalagens longa vida para fabricação de telhas e a aplicação das garrafas PET em iluminação zenital, como estrutura flutuante para casas fluviais ou até em sistemas de aquecimento de água, evitando-se uma quantidade significativa de despejo destes ditos “descartáveis” nos já saturados lixões.

Para que situações como essas se tornem uma realidade mais próxima, sem mesmo a necessidade de imposições legais, os profissionais têm a responsabilidade de fazer da arquitetura bioclimática um motivo de ampla satisfação para os clientes, seja ele pelo bem sucedido resultado estético, como principalmente o retorno financeiro a médio prazo.

Deve-se demonstrar no papel os benefícios relacionados a conforto, beleza, harmonia mas, principalmente, economia, o que não é tarefa das mais fáceis. É preciso uma boa dose de habilidade para convencer um cliente que determinada solução imediatamente mais cara pode virar lucro no futuro.

Bom exemplo disso é o que acontece em países como a Alemanha, cujas residências com sistema de geração próprio de energia (eólica e solar, essencialmente) que, quando acumulada em excesso, pode ser transferida para a rede da concessionária, gerando créditos ao próprio consumidor. Em nosso país, este artifício ainda não é regulamentado, mas não tardará para acontecer.

O quanto antes buscarmos soluções racionais e viáveis, mais rápido teremos resultados no futuro. Cabe a cada um reconhecer como, onde e o quê é lucrativo nesse mercado. E se os profissionais fizerem sua parte, a sociedade como um todo só tem a ganhar.

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