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Em Marketing para profissionais (veja mais 98 artigos nesta área)

por Redação do Fórum da Construção

A Executiva



A proposta de nossa área do “cafezinho” é discutir e entender aspectos cotidianos da carreira e do cenário dos profissionais, mas, também nos preocupamos com exageros e “modismos” que verificamos em várias organizações.

Resume de uma forma brilhante, e muito bem humorada,  esse abuso que acontece em muitas empresas, debaixo de uma pseuda modernização, o texto, que abaixo reproduzimos do renomado articulista, entre outras especialidades, Max Gehringer  :

 

A EXECUTIVA 

Foi tudo muito rápido. A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no  peito, vacilou, cambaleou. Deu um gemido e apagou. Quando voltou a abrir  os olhos, viu-se diante de um imenso Portal.

Ainda meio zonza, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas.Todas vestindo cândidos camisolões e caminhando despreocupadas. Sem entender bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes:

- Enfermeiro, eu preciso voltar urgente para o meu escritório, porque  tenho um meeting importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida para cá por  engano, porque meu convênio médico é classe A, e isto aqui está me parecendo mais um pronto-socorro. Onde é que nós estamos?

- No céu.

- No céu?

- É

- Tipo assim... o céu, CÉU...! Aquele com querubins voando e coisas do gênero?
- Certamente. Aqui todos vivemos em estado de gozo permanente.

Apesar das óbvias evidências, nenhuma poluição, todo mundo sorrindo, (ninguém usando telefone celular), a executiva bem-sucedida custou um pouco a admitir que houvesse mesmo apitado na curva.

Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infalíveis  técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável.  Porque, ponderou, dali a uma semana ela iria receber o bônus anual, além  de estar fortemente cotada para assumir a posição de presidente do conselho de administração da empresa.  E foi aí que o interlocutor sugeriu:

- Talvez seja melhor você conversar com Pedro , o síndico.

- É? E como é que eu marco uma audiência? Ele tem secretária?

- Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.

- Assim? 

(...)

- Pois não?

A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem. À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro.  Mas, a executiva havia feito um curso intensivo de approach para situações inesperadas e reagiu rapidinho:

- Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma executiva  bem-sucedida e...
- Executiva... Que palavra estranha. De que século você veio?

- Do 21. O distinto vai me dizer que não conhece o termo "executiva"?

- Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo.

Foi então que a executiva bem-sucedida teve um insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição  hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.

- Sabe, meu caro Pedro. Se você me permite, eu gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para esse povo todo aí, só batendo papo e andando a toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um upgrade na produtividade sistêmica.

- É mesmo?

- Pode acreditar, porque tenho PHD em reengenharia. Por exemplo, não vejo  ninguém usando crachá. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o que.
- Ah, não sabemos.

- Entendeu o meu ponto? Sem controle, há dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo isto aqui vai acabar virando uma anarquia. Mas nós dois podemos consertar tudo isso rapidinho, implementando um simples programa de targets individuais e avaliação de performance.

- Que interessante...

- É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização e um  organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis  psicológicos não consigam  resolver.
- !!!....???...!!!...???...!!!

- Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas  factíveis de leverage, maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande Acionista... Ele existe, certo?

- Sobre todas as coisas.

- Ótimo. O passo seguinte seria partir para um downsizing progressivo, encontrar sinergias high-tech, redigir manuais de procedimento, definir o  marketing mix e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de  alto valor agregado. O mercado telestérico, por exemplo, me parece  extremamente atrativo.

- Incrível!

- É óbvio que, para conseguir tudo isso, nós dois teremos que nomear um  board de altíssimo nível. Com um pacote de remuneração atraente, é claro. Coisa assim de salário de seis dígitos e todos os fringe benefits e mordomias de praxe. Porque, agora falando de colega para colega, tenho  certeza de que você vai concordar comigo, Pedro. O desafio que temos pela  frente vai resultar em um Turnaround radical.

- Impressionante!

- Isso significa que podemos partir para a implementação?
- Não. Significa que você terá um futuro brilhante... se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque você acaba de descrever, exatamente, como funciona o INFERNO.

Max Gehringer

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