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Em Arquitetura e Decoração Corporativa (veja mais 70 artigos nesta área)

por Arq. Fabio Rocha / Sílvia Rocha

Home Office Agora é Lucro! Veja como é possível adequar sua residência ao seu negócio



Já faz algum tempo que se duvidou de que cada um de nós teria um PC (do inglês personal cumputer), muito menos em casa. Desde o final dos anos 70, época em que reinavam os mainframes (computadores de maior porte, dedicados ao processamento de um volume grande de informações), os recursos tecnológicos não pararam de evoluir e, em decorrência disso, muitas foram as mudanças em nossa maneira de viver, nos relacionar e também... trabalhar!

O avanço cultural, neste aspecto, foi tão grande que a antiga biblioteca (ou sala de leitura) teve de sair de cena e dar lugar a um novo protagonista: o home office. Não que as pessoas não gostem mais de ler; mesmo com a revolução da internet na era da globalização, a indústria de livros e revistas manteve seu espaço. Mas várias adaptações foram necessárias em nosso cotidiano.

Alguns especialistas no mercado de trabalho afirmam que os escritórios residenciais sugiram como uma alternativa às crises econômicas e aos altos índices de desemprego. Outros explicam que as grandes empresas, preocupadas em reduzir os altíssimos custos operacionais (que incluem desde o metro quadrado da locação do imóvel, despesas com água, luz, telefone, materiais de escritório, condução do colaborador, até mobiliário e equipamentos), mandaram parte de sua equipe para casa. Há quem defenda ainda que a decisão de não sair de casa partiu dos profissionais, preocupados em conviver mais com a família ou afugentados pelo estresse da vida urbana.

Fato é que o home office deixou de ser uma “área morta” da casa ou opção de alguns poucos profissionais liberais e conquistou solidamente consultores, executivos e empresários. Pesquisas recentes apontam que 10% dos trabalhadores brasileiros já vivem da renda obtida com o escritório em casa (isso levando em conta aqueles que possuem carteira assinada). Qualidade de vida é expressão da moda, e a maioria de nós busca maneiras de aliar positivamente os momentos de lazer e trabalho. Independentemente do motivo que tenha levado a sair do ambiente empresarial, ganhar dinheiro é bom e necessário, e, dependendo da função que se pretende exercer, trabalhar em casa pode ser ainda mais produtivo e rentável.

Mas atenção: montar e manter (principalmente manter) um escritório lucrativo na residência exige uma série de providências, da estrutura física aos aspectos comportamentais. Quanto às instalações, o arquiteto Fabio Rocha, experiente em projetos corporativos, recomenda:

  1. Primeiramente é preciso identificar o objetivo do usuário para esse ambiente: ali se estabelecerá seu negócio principal ou apenas uma extensão da empresa? Em qualquer dos casos, sugerimos sempre que o home office seja um local com “aspecto de escritório”. Essa proposta pode parecer estranha, mas entendemos que todos os recursos e estímulos fornecidos devam remeter a um ambiente empresarial. No entanto, caso o espaço vá ser usado somente como sala de leitura (de livros ou e-mails), talvez possa haver uma flexibilidade maior em integrá-lo à residência, conforme o perfil do cliente.
  2. O plano de negócios vem logo a seguir: antes de se pensar em comprar prateleiras, gaveteiros e cadeiras, é necessário saber se o profissional trabalhará sozinho ou precisará de assistentes, bem como se receberá fornecedores e clientes. É fundamental analisar se a área disponível atende às necessidades do modelo do negócio antes de iniciá-lo, para que se evitem desperdícios causados por mudanças repentinas (cartões de visita, investimentos na estrutura física até os contatos comerciais já efetivados)
  3. A partir da aprovação da área, deve-se fazer a lista dos itens indispensáveis às atividades: computador, impressora, aparelho de telefone etc., tudo precisa ser relacionado antecipadamente, para que sejam previstos os pontos de elétrica, dados e voz adequadamente, e se utilize o espaço da melhor maneira possível.
  4. Para favorecer o conforto acústico, a concentração e cumprimento de tarefas, o local de trabalho deve se manter, preferencialmente, isolado das outras áreas da residência e sempre que possível contar com uma entrada independente.
  5. Quanto ao planejamento dos ambientes físicos, é primordial pensar na flexibilidade da área de trabalho, com a viabilização de projetos humanizados, que levem em consideração aspectos psicológicos e práticos, a fim de tornar o ambiente compatível com os processos ali executados. A iluminação deve evitar reflexos e ofuscamentos. Mesas e cadeiras, para uso do computador, devem possuir regulagens simples e estar em locais de fácil acesso, que permitam a mudança da postura ao longo da jornada de trabalho. Quanto aos ângulos de visão, a parte superior da tela deve coincidir com a altura dos olhos, para evitar a projeção da cabeça para a frente e a adoção de posturas críticas. O plano de digitação deve coincidir com a altura do cotovelo. O braço deve fazer com o antebraço um ângulo igual ou maior do que 90 graus. Punho neutro: deve-se procurar digitar com o punho reto (alinhado com o antebraço), em posição neutra. Ou seja, todas as regras de ergonomia devem ser observadas, em escritórios inseridos em residências ou não.

Outro aspecto a observar refere-se às regras de condomínio e vizinhança. É importante saber se existe restrição quanto ao negócio a ser montado, recebimento de visitas e normas de segurança em geral.

Quanto ao comportamento, é imprescindível:

  1. Estabelecer um horário fixo para as atividades laborais, a fim de não cair no erro de trabalhar exageradamente (ou muito pouco, pois deixar tarefas incompletas pode ser prejudicial aos resultados financeiros).
  2. Vestir-se para o trabalho! (Sem mais comentários... Ficar de pijamas até a hora do almoço, nem pensar!).
  3. Evitar as interrupções (como idas até a cozinha ou espiadas nas crianças).
  4. Fazer cursos, assistir a palestras e participar de eventos (fora de casa, claro). É importante manter-se atualizado e relacionar-se com o mercado como um todo.

De modo geral, o profissional deve se cercar de condições que o façam sentir-se bem, estimulado e feliz e jamais dar margem a sentimentos de fracasso e frustração! O ambiente deve favorecer a concentração, a criatividade e a produtividade.

Pelo fato de oferecer conforto, privacidade, economia e agilidade que só um escritório próprio (e dentro de casa!) pode proporcionar, tudo indica que o home office veio para ficar. Resta a esse tipo de empreendedor planejar, cumprir metas e analisar-se constantemente (como seria exigido em qualquer organização). Depois é só colher os frutos vindos em forma de melhoria da qualidade de vida e... lucro!

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