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Dýnamis agora é TriGeo!

Em seu 25º aniversário a Dýnamis Engenharia Geotécnica passa para uma nova fase de desenvolvimento e amadurecimento e, a partir de agora irá se concentrar na Consultoria Geotécnica através do Eng° Mauro Hernandez Lozano, criador e fundador da empresa.
Pela vasta experiência adquirida nestes vinte e cinco anos e com a finalidade de continuar prestando serviços geotécnicos de excelência, cria-se a empresa TriGeo Engenharia Geotécnica, alicerçada no mesmo corpo técnico da Dýnamis Engenharia Geotécnica.
O Eng° Mauro Hernandez Lozano continuará a participar ativamente do dia-a-dia da nova empresa, que tem sua conduta inspirada na Ciência Trilógica que unifica a ciência, a filosofia e a metafísica.
A TriGeo surge para fazer diferença no atendimento e relacionamento com clientes e fornecedores.
Veja mais sobre a TriGeo Engenharia Geotécnica na página da empresa em nosso site

por Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos

Aspectos essenciais na elaboração de uma carta geotécnica



As recorrentes tragédias geotécnicas que vêm se abatendo sobre municípios brasileiros tiveram ao menos como saldo positivo, e esperamos irreversível, a consciência geral sobre a importância em se ter em conta as características geológicas e geotécnicas dos terrenos na regulação técnica do uso do solo urbano.

Do ponto de vista das essenciais ações preventivas e de planejamento, vem ficando igualmente consensuado o destacado papel a ser cumprido pela Carta Geotécnica municipal, a ponto de sua elaboração já constituir expressiva demanda de serviços junto a instituições e empresas brasileiras que trabalham na área geotécnica.

Nesse cenário é indispensável que o meio geotécnico brasileiro uniformize seu entendimento sobre os principais aspectos conceituais e metodológicos envolvidos na produção de uma Carta Geotécnica, de forma a garantir consistência e qualidade na produção de tão estratégico instrumento de planejamento do uso do solo.

Nesse sentido, o ideal seria termos em breve manuais orientativos da produção de cartas geotécnicas e cartas de risco, providência que já vem sido considerada pelas associações técnico-científicas do setor, no caso a ABMS e a ABGE. No entanto, como a demanda a essas orientações está desde já colocada, faz-se oportuna a troca de informações e artigos técnicos entre os geotécnicos brasileiros como expediente de avançarmos no entendimento comum das questões conceituais e metodológicas envolvidas, objetivo com o qual esse artigo procura colaborar.

A questão conceitual.

A Carta Geotécnica é um documento cartográfico que informa sobre o comportamento dos diferentes compartimentos geológicos homogêneos de uma área frente às solicitações de um determinado tipo de intervenção, e complementarmente indica as melhores opções técnicas para que essa intervenção se dê com pleno sucesso técnico e econômico.

Importante frisar esse conceito: uma Carta Geotécnica implica necessariamente na conjugação do mapa de zoneamento geotécnico com as recomendações técnicas de ocupação. A CG é um documento básico para a formulação de Planos Diretores, Códigos de Obra e demais instrumentos de regramento técnico do uso do solo.

Por se referirem a algum tipo específico de ocupação há muitos tipos de CGs, como, por exemplo, CGs voltadas a subsidiar a instalação de aterros sanitários, depósitos de resíduos industriais perigosos, cemitérios, etc., em que o risco mais destacado está na contaminação do lençol freático.

Para essas cartas as características de permeabilidade dos compartimentos geológico-gemorfológicos e seu papel na recarga dos aqüíferos é essencial. No caso presente estaremos nos referindo especialmente às cartas geotécnicas voltadas a subsidiar tecnicamente a expansão urbana em regiões úmidas de relevos acidentados, para as quais as características dos terrenos quanto à sua suscetibilidade a escorregamentos destaca-se como a fundamental.

A questão metodológica

O primeiro passo na produção da Carta Geotécnica está na definição dos parâmetros críticos que serão utilizados na compartimentação espacial da área estudada e que definirão os setores compatíveis com a ocupação urbana e os setores que, por suas características, serão considerados non edificandi. Em nossas regiões tropicais serranas esses parâmetros já estão bem estudados e conhecidos, restando poucas dúvidas ou discordâncias a respeito. São eles:
- feições geomorfológicas como as grotas ou cabeceiras de drenagem;
- encostas com declividade superior a 40%, ou algo em torno desse valor, sendo as encostas retilíneas aquelas que sugerem maiores cuidados;
- feições geológicas de maior instabilidade definidas por posicionamento espacial de estruturas geológicas e texturas petrográficas;
- presença de matacões e blocos de rocha em superfície e sub-superfície;
- faixas de terreno a montante ou a jusante de áreas instáveis (que, portanto, podem ser respectivamente desestabilizadas por descalçamento ou atingidas por material proveniente de deslizamentos);
- áreas baixas de vales sujeitos a corridas de lama e detritos; - áreas que podem ser atingidas por rolamento de matacões ou queda de blocos e lajes;
- margens de drenagens naturais sujeitas a solapamentos; - antigos lixões ou bota-fora de entulho;
- áreas a montante ou a jusante de anteriores intervenções humanas desestabilizadoras.

O segundo passo metodológico volta-se para a produção propriamente da Carta. Para os estudos e análises associados a essa fase de trabalho são necessários ao menos os seguintes mapeamentos temáticos básicos: geologia, geomorfologia, clinometria, formas de uso do solo, intervenções humanas desestabilizadoras (especialmente cortes e aterros), evidências de escorregamentos naturais e induzidos. Destaque-se que a elaboração de uma CG, ainda que não prescinda da liderança técnica do geólogo de engenharia e do engenheiro geotécnico, é uma ação multidisciplinar, que deve envolver outras especializações profissionais, como os geógrafos, cartógrafos e arquitetos urbanistas.

Uma vez identificados os setores não ocupáveis, passa-se à terceira etapa dos trabalhos, onde devem ser hierarquizados segundo seus diferentes graus de risco os setores passíveis de ocupação e então estabelecidas as orientações técnicas para que essa ocupação se dê da forma mais correta. Entre essas orientações, destacam-se:
a. Como diretriz, usar a criatividade e adaptar o projeto à topografia e não a topografia ao projeto;
b. Evitar ao máximo cortes e aterros. Se possível, aboli-los por completo;
c. Adotar lotes com a maior dimensão paralela às curvas de nível;
d. As edificações deverão ter sua parte frontal apoiada sobre pilotis (ou expedientes equivalentes), assim evitando encaixes na encosta;
e. Em caso de loteamentos, somente liberar as construções nos lotes após toda infraestrutura urbana já instalada: arruamento, pavimentação, drenagem;
f. Demarcar os lotes sem retirar a vegetação e o solo superficial. Somente retirar a vegetação e o solo superficial, se realmente necessário, no momento da construção de cada edificação, ou seja, lote a lote;
g. Em terrenos muito inclinados reduzir o número de ruas a nível, devendo ser privilegiado o acesso a pé às moradias. As ladeiras perpendiculares às curvas de nível deverão ser descontínuas;
h. Não deverão ser instaladas em hipótese alguma fossas de infiltração. Outro sistema de esgotamento sanitário deverá ser adotado;
i. Não são permitidas roças de banana, mandioca ou de qualquer outro produto agrícola;
j. Todos os espaços urbanos públicos de circulação e uso dos moradores, incluindo ruas, passagens, acessos, pequenos largos e praças, quadras esportivas e áreas de lazer, deverão ser mantidos impermeabilizados;
k. As propriedades somente poderão manter em condições naturais (para utilização como horta ou jardim) no máximo 1/3 (um terço) de sua área não edificada do lote, sendo que os 2/3 restantes deverão ser impermeabilizados com argamassa de cimento ou assentamento de piso impermeável;
l. Todas as edificações deverão instalar calhas para recolhimento das águas do telhado e sua condução a sistema de drenagem apropriado.

A questão da escala de apresentação

As Cartas Geotécnicas que serão utilizadas nas decisões rotineiras de regramento de uso do solo pelas Prefeituras Municipais devem estar em escala compatível com a precisa localização de suas informações (especialmente os limites entre diferentes compartimentos geotécnicos) no campo. Essa condição exige no mínimo escalas 1:5000, com eventuais detalhamentos em 1:1.000. Escalas menores, 1:25.000, 50.000, etc., podem ter outra finalidade, como as abordagens macro-regionais de fins didáticos, mas não se prestam a trabalhos e operações de campo.


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